Tem uma cena que se repete em quase toda reunião de marketing quando o assunto é ganhar espaço nas buscas. O gestor pede para o time colocar a empresa em primeiro lugar numa busca importante. Meses depois, chega onde quer, mas o tráfego sobe menos do que todo mundo imaginava.
Não é erro de medição. É que a 1ª posição de hoje não é mais a primeira coisa que a pessoa vê. Antes dela costuma ter um resumo gerado por inteligência artificial, uma caixa de perguntas, três anúncios, um carrossel de produtos e um bloco de vídeos. Você está em primeiro num lugar que virou o quinto.
Um levantamento da Semrush mostra que só 1,19% das páginas de resultado do Google não trazem nenhum recurso extra. Ou seja, em pouco mais de 1% das buscas, você vê apenas os 10 links azuis clássicos. Todo o resto tem outros blocos disputando a atenção, e cada um deles tem dono.
Então, a pergunta que interessa para quem decide orçamento mudou. Não é mais “em que posição eu estou?”, mas sim “de quantos espaços dessa página eu sou dono, e de quantos o meu concorrente é?”.
Isso é dominar a SERP. E este texto vai ser seu guia para entender melhor a situação da sua empresa.
O que significa dominar a SERP?
SERP é a sigla de Search Engine Results Page, a página de resultados que aparece quando alguém pesquisa alguma coisa. O pessoal old school vai lembrar que a 10 anos, ela era uma lista. Hoje é um mosaico.
É por isso que dominar a SERP é ocupar o maior número possível de espaços de uma mesma página de resultados do Google nas buscas que importam para o seu negócio, seja resultado orgânico, resumo de IA, imagens, vídeo, produtos, mapa, painel de marca ou outro.
O Google já exibe mais de 30 tipos diferentes de blocos nos resultados (a contagem é do mercado americano, que costuma receber as novidades primeiro). No estudo da GrowByData, quando se mede quanto de espaço cada bloco ocupa, os resultados orgânicos tradicionais (os links azuis de sempre) respondem por cerca de 20% dos elementos da página. Os outros 80% são resumos de IA, produtos, perguntas, imagens, fóruns, mapas e sugestões de nova busca.
Junte a isso um detalhe de tela: esses blocos ficam quase todos acima da dobra, que é a parte da página que a pessoa vê sem precisar rolar. Em buscas comerciais, ainda pela GrowByData, eles tomam de 60% a 80% desse espaço.


Ou seja, dá para ser o primeiro resultado orgânico e ainda assim só aparecer depois que a pessoa rolar a tela duas vezes. Ser o primeiro continua bom. Só não é mais a mesma coisa que ser visto.
Por que dominar a SERP virou urgente agora
Três coisas mudaram em pouco tempo, e todas empurram na mesma direção quando o assunto é dominar a SERP.
O topo da página virou resposta, não lista
O AI Overview (aquele resumo gerado por IA que aparece antes de tudo, inclusive dos anúncios) chegou ao Brasil em 15 de agosto de 2024, quando o Google expandiu o recurso para seis países fora dos Estados Unidos. Desde então, ele foi ficando mais frequente e passou a aparecer também em buscas comerciais, não só em dúvidas gerais.
Em 19 de maio de 2026, no Google I/O, a empresa anunciou que o AI Mode já passava de 1 bilhão de usuários por mês, um ano depois do lançamento. Junto veio a maior reformulação da caixa de busca em 25 anos: ela aceita texto, imagem, arquivo e vídeo, e dá para fazer uma pergunta de acompanhamento direto do AI Overview e cair numa conversa com o AI Mode.
Essa possibilidade muda a natureza da disputa. A pessoa pode resolver a dúvida sem clicar em lugar nenhum. Você deixa de competir só por clique e passa a competir também por citação.
É aqui que entra o termo GEO, sigla de Generative Engine Optimization: o trabalho de fazer a sua marca ser citada nas respostas geradas por IA, seja no AI Overview e no AI Mode do Google, seja no ChatGPT, no Gemini, no Perplexity ou no Copilot. É quase a mesma coisa que o SEO, mas com critérios parecidos e alguns próprios.
A página 2 voltou a ser página 2
Em 26 de junho de 2024, o Google anunciou que estava desligando a rolagem contínua no desktop, e meses depois fez o mesmo no mobile. Antes disso, os resultados iam carregando sozinhos conforme a pessoa descia. A posição 11 era só “um pouco mais para baixo”. Agora ela precisa clicar em “Próxima página” para chegar lá.
Na prática, quem está da posição 11 em diante ficou perto do invisível. A SERP inteira se concentrou numa página só, que é justamente a página lotada de blocos.
A mesma posição passou a valer menos clique
Os números a seguir são da First Page Sage, que cruza dados de Backlinko, Sistrix, BrightLocal, Wordstream e da base própria da consultoria. Numa busca limpa, sem blocos extras, a posição 1 orgânica leva 39,8% dos cliques. A posição 2 fica com 18,7% e a 3 com 10,2%.
Basta um bloco novo aparecer para essa conta mudar. Na mesma fonte, com um pacote local na página (aquele mapinha com três empresas), a posição 1 cai para 23,7%. E um estudo da Ahrefs com 300 mil palavras-chave apontou queda de cerca de 58% no CTR (click-through rate: a proporção de gente que vê o resultado e clica nele) da página melhor posicionada quando existe AI Overview na busca.
Portanto, brigar por posição continua valendo. Só que a mesma posição rende menos do que rendia, e o jeito de recuperar volume é ocupar mais de um espaço na mesma página.
O mapa completo dos espaços que dá para ocupar no Google
A maior parte das empresas trabalha em dois espaços: o resultado orgânico e o anúncio. Existem muito mais. Abaixo estão eles, agrupados por função e o que precisa acontecer para você entrar e dominar a SERP.
Espaços de resposta (o topo da página)
1 – AI Overview (Visão geral criada por IA)
Resumo gerado por IA que aparece dentro da página de resultados normal, no topo, acima dos anúncios e do orgânico. O Google decide sozinho quando a busca merece. Traz links para as fontes de cada trecho, e abaixo dele a SERP continua igual, com anúncios, orgânico e todo o resto.


Quem aparece: sites que o Google considera confiáveis, geralmente dentro do top 12 orgânico, mais fóruns e listas de terceiros — só o Reddit responde por 7% das citações de AI Overview em buscas de varejo, segundo levantamento da GrowByData de julho de 2026.
#DicadaSearchLab: responder à pergunta de forma direta e verificável, com dado, número e faixa de preço; ter autor identificado; e estar presente nas páginas de terceiros que a IA costuma citar.
2 – AI Mode (Modo IA)
É uma experiência separada, na aba “Modo IA” que fica ao lado de “Tudo”, “Imagens” e “Shopping”. Aqui não existe lista de links azuis embaixo: a pessoa pergunta, recebe uma resposta, faz uma pergunta de acompanhamento e a conversa continua. As fontes aparecem em cartões ao lado.


A diferença entre o Modo IA e AIO que importa para quem trabalha com SEO está em três pontos:
- No AI Overview ainda dá para ganhar nos dois. Se você não for citado no resumo, sua página continua ali embaixo e ainda pode receber o clique. No AI Mode, ou você é citado, ou você não está na página.
- O AI Mode quebra a pergunta em várias sub-buscas. O Google chama isso de query fan-out: ele decompõe a pergunta original em consultas menores, busca cada uma e costura a resposta. Por isso, ser forte numa palavra-chave só não resolve. Ele vai puxar conteúdo de quem cobre o tema inteiro, e é aí que entra o prompt research: mapear as perguntas reais que a pessoa faz, não só os termos que ela digita.
- A porta de entrada agora liga os dois. Desde maio de 2026, dá para fazer uma pergunta de acompanhamento direto do AI Overview e cair no AI Mode. Ou seja, aparecer no primeiro aumenta a chance de aparecer no segundo.
#DicadaSearchLab: mesma base do AI Overview, com um cuidado extra de cobertura. Conteúdo que responde à pergunta principal e também às adjacentes, com dado próprio, comparação e critério explícito.
3 – Featured snippet (resposta em destaque)
A caixa que recorta um trecho do seu site e mostra antes de todo mundo. É o elemento com maior CTR isolado da página: 42,9%, segundo a First Page Sage.


#DicadaSearchLab: responder à pergunta em 40 a 60 palavras logo abaixo de um subtítulo que repete a pergunta. Tabela e lista curta ajudam bastante.
4 – Pessoas também perguntam (PAA)
PAA são aquelas perguntas em sanfona que abrem quando você clica. O clique direto é baixo, 3% na medição da First Page Sage, mas esse bloco define quais serão as próximas dúvidas da pessoa. #DicadaSearchLab: FAQ na página e subtítulos em formato de pergunta ajudam a aparecer aqui.


5 – “O que saber” (Things to Know)
É um bloco de subtemas que o Google monta para assuntos mais complexos. Quem tem conteúdo cobrindo o tema por vários ângulos entra com mais facilidade.


Espaços de listagem
6 – Resultado orgânico e sitelinks
O link azul de sempre, às vezes com atalhos para seções internas do site logo abaixo. Desde a atualização de diversidade de domínios, de junho de 2019, o Google mostra, em geral, no máximo dois resultados do mesmo site por página. Você não domina a SERP empilhando URLs suas. Precisa entrar por blocos diferentes.


#DicadaSearchLab: para aparecer aqui, você precisa de um ótimo trabalho de SEO para entender como as pessoas buscam seus produtos ou serviços e, assim, criar titles, meta description e outras estratégias condizentes com esse contexto.
7 – Rich results (resultados enriquecidos)
Rich results é quando o seu resultado aparece com estrela de avaliação, preço, disponibilidade, tempo de preparo, data do evento, faixa salarial e outras opções. Está mais ligado à aparência na SERP do que a um ranking, porque chama mais atenção dos usuários. A estrela de avaliação, por exemplo, só existe se a página tiver conteúdo gerado pelo usuário.


#DicadaSearchLab: são os dados estruturados, também chamados de schema. Na prática, é um pedaço de código invisível ao usuário que descreve para o Google o que tem na página: produto, avaliação, evento, vaga, curso, software, receita etc. Tudo depende do que é a página, se é de produto, categoria etc.
Um aviso importante: em 7 de maio de 2026, o Google parou de exibir o rich result de FAQ nos resultados e colocou a nota de depreciação na documentação do Search Central no mesmo dia. A marcação FAQPage continua válida e ainda é lida por outros rastreadores, inclusive os de IA. O que sumiu foi a sanfona desenhada no resultado.
Espaços visuais
8 – Imagens
Aparecem quando a busca tem intenção visual: moda, decoração, “como fazer”, viagem etc. Para isso, é preciso fazer um SEO para imagens bem feito.


#DicadaSearchLab: comece a ter foto própria (banco de imagem quase nunca entra), nome de arquivo e texto alternativo descritivos (alt text), imagem publicada dentro de uma página indexada e com contexto de texto ao redor.
9 – Carrossel de vídeos
Bloco de vídeos longos, em formato horizontal, com miniatura, título, canal e data. O YouTube domina, mas não tem exclusividade: vídeo hospedado no próprio site entra, e o Instagram já aparece com frequência nesse bloco no Brasil.


#DicadaSearchLab: experimente publicar no YouTube com título que casa com a busca da pessoa, capítulos marcados e transcrição; e usar VideoObject nos vídeos hospedados no seu próprio site, com miniatura, duração e data declaradas.
10 – Vídeos curtos
É um bloco separado, com aba própria (“Vídeos curtos”), em formato vertical. Puxa Shorts, Reels e TikTok. A lógica de ranqueamento é diferente: pesa muito o desempenho do vídeo dentro da plataforma de origem, não a otimização da página.


#DicadaSearchLab: publicar vertical, com o termo da busca falado nos primeiros segundos e escrito na legenda. Aqui o trabalho é de social, não de site, e é justamente por isso que a maioria das empresas deixa esse bloco vago.
Espaços de compra
11 – Produtos populares
Trata-se do carrossel de produtos que aparece direto na busca. É um dos blocos mais frequentes hoje: mais de 16% dos elementos observados nas SERPs monitoradas pela GrowByData.


O Google agrupa o mesmo item vendido por lojas diferentes num único card e escolhe quem mostrar. Quando a pessoa clica, abre um painel com os vendedores daquele produto, avaliações e histórico de preço. Aparece em busca genérica de categoria, do tipo “tênis de corrida” ou “colchão de casal”, quando o Google entende que ela ainda está escolhendo o que comprar, não onde comprar.
#DicadaSearchLab: antes de brigar por esse bloco, rode um diagnóstico de feed. Na maioria dos e-commerces que a gente audita, entre 20% e 40% do catálogo está inelegível por motivos bobos, como GTIN em branco, imagem com selo ou categoria errada. Corrigir isso costuma render mais rápido que qualquer conteúdo novo. Só lembra que o carrossel puxa do feed, mas o clique cai na sua PDP, então SEO para página de produto continua valendo.
12 – Listagens gratuitas do Shopping
Sim, gratuitas. Você sobe um feed no Google Merchant Center, ativa o programa de listagens gratuitas e seus produtos podem aparecer na aba Shopping, na busca comum e no Maps sem custo de mídia.


#DicadaSearchLab: comece com um feed com título que usa o termo que a pessoa busca, GTIN, preço e disponibilidade corretos e imagem limpa.
13 – Listagens de vendedor e comparação multiloja
Quando a pessoa busca um produto específico, o Google monta a comparação de quem vende. Se você tem o produto e não está ali, o concorrente está.
Um alerta comercial: estar presente não é sempre bom. Se o seu preço está 20% acima e o frete é mais lento, esse bloco só mostra para o cliente por que comprar no concorrente. Vale entrar SKU a SKU, começando pelos itens em que você é competitivo.
Espaços locais
14 – Pacote local e Maps
O bloco com três empresas e mapa, alimentado pelo Perfil da Empresa no Google. Os cliques nas três posições ficam em 17,6%, 15,4% e 15,1% (dados da First Page Sage). Somando, o pacote local leva quase metade do clique numa busca com intenção local, e é por isso que a posição 1 orgânica desaba para 23,7% quando ele está presente.


#DicadaSearchLab: sempre deixe com categoria certa, endereço e horário corretos, fotos atualizadas com frequência, avaliações respondidas, produtos e serviços cadastrados. Proximidade é um fator relevante para aparecer, mas relevância e reputação também.
E não é assunto só de loja física. Indústria, distribuidor e escritório B2B também têm pacote local.
Espaços de setor específico
15 – Voos
Se o negócio é companhia aérea ou agência de viagem, existe um bloco só seu. Quem busca passagem recebe origem, destino, calendário e faixa de preço direto na página, com opção de reservar sem sair do Google.


Quem ocupa: companhias aéreas e agências que enviam dados de horário, tarifa e disponibilidade ao Google pelos programas do Google Flights.
#DicadaSearchLab: aqui não é SEO de página, é integração de dados. A companhia fornece o feed e pode ativar os links de reserva gratuitos, que mandam a pessoa direto para o site próprio, sem custo de mídia, o que muda bastante a conta de comissão paga a intermediário. A mesma lógica vale para os blocos de hotéis e de aluguel por temporada.
Vale o mesmo raciocínio para outras verticais com bloco dedicado: vagas de emprego, eventos e receitas têm formatos próprios, alimentados por dados estruturados específicos.
Espaços que não são seus (e é aqui que a maioria perde)
16 – Discussões e fóruns
Reddit, comunidades e grupos. Aparecem forte em busca de opinião e de problema: “vale a pena”, “alguém já usou” ou “não funciona”. E, como já falamos, o Reddit é muito usado como fonte para as IAs, por isso a sua marca precisa ser mencionada espontaneamente numa thread.


17 – Top Stories e notícias
Trata-se do carrossel de notícias recentes que aparece no topo quando a busca tem interesse jornalístico. O critério dominante é recência, isto é, matéria de horas atrás ganha de matéria de ontem, somado à autoridade do veículo e à relevância no assunto.
Tecnicamente, qualquer site pode aparecer, já que o Google removeu a exigência de cadastro prévio. Na prática, quem ocupa são veículos de imprensa reconhecidos. Se a sua marca não é veículo, o caminho é aparecer dentro da matéria dos outros, o que se constrói com backlinks e relacionamento.


Espaços de marca
18 – Painel de conhecimento
O quadro que aparece do lado direito com logo, ano de fundação, redes sociais e informações da empresa. Não se conquista com otimização de página. Vem de consistência de entidade: mesmo nome, mesmo endereço e mesma descrição no site, no LinkedIn, no Wikidata e nas bases do setor, mais a marcação schema Organization com sameAs apontando para esses perfis.


19 – “As pessoas também procuram” e buscas relacionadas
Não dá para controlar diretamente, mas o que aparece ali revela o que o Google associa à sua marca. Se o nome do concorrente aparece ao lado do seu, isso é informação comercial, não curiosidade.


Espaços pagos
20 – Anúncios
Não são orgânicos, mas ocupam bastante o espaço da SERP, e ignorá-los no mapa dá uma leitura falsa de quanto espaço sobra. Podem ser em texto, no Shopping ou pacote local. Ficam no topo e na base, marcados como “Patrocinado”. Um único anúncio ocupa quase a primeira tela inteira em busca de B2B. Mas sozinhos podem não trazer a mesma credibilidade. É preciso pensar nos outros espaços orgânicos também!
Fora da página de resultados
21 – Google Discover
Não é SERP e, por isso, quase nunca entra no mapa. Mas para alguns publishers ele já traz mais tráfego que a busca. É o feed que aparece no aplicativo do Google e na tela inicial do Chrome no celular. Não tem consulta: o Google mostra conteúdo com base no interesse da pessoa.


#DicadaSearchLab: coloque imagem de alta resolução, com pelo menos 1.200 pixels de largura, liberada com max-image-preview:large; título que descreve o conteúdo sem apelar; e assunto de interesse contínuo, não institucional. Conteúdo de produto raramente está lá, mas se for editorial com boa imagem é bem aceito.
Exemplos de SERP Domination: 3 buscas, 3 mapas diferentes
Não existe “o mapa da SERP”. Existe o mapa de cada busca. O mesmo cliente pode ter páginas de resultado completamente diferentes dependendo de como a pessoa pergunta, porque o que monta a página é a intenção de busca por trás dela.
1- A busca com endereço ou “perto de mim”
Exemplo: “loja de bicicleta elétrica em Curitiba”.
O que domina a página: pacote local, Maps, anúncios locais e, só depois, orgânico. Quem é o dono desses espaços quase nunca é quem tem o melhor site. É quem tem o Perfil da Empresa mais completo e as avaliações mais recentes.
O que fazer: um perfil por unidade, página de loja no site com endereço marcado como LocalBusiness, fotos reais tiradas no local e um processo constante de pedir e responder avaliação.
Onde costuma ter brecha: quase todo negócio com endereço físico deixa o perfil parado. Foto de 2021, horário errado no feriado, avaliação de dois anos sem resposta. É o espaço mais barato de ocupar que existe hoje.
2- A busca curta e genérica
Exemplo: “biquíni”, “colchão de casal”, “CRM”.
O que domina: produtos populares, Shopping, imagens e o orgânico de marketplace e grandes players. Quem é o dono geralmente é quem tem o feed bem construído, não quem tem o melhor texto.
O que fazer: feed no Merchant Center impecável (título com o atributo que a pessoa realmente busca, imagem limpa, preço e estoque atualizados), página de categoria bem estruturada e imagem própria indexada.
Onde costuma ter brecha: o feed. É comum encontrar catálogo enorme com título genérico, produto sem GTIN e estoque desatualizado. É também por isso que todo e-commerce parece igual no Google, com a mesma foto e a mesma descrição do fornecedor. Arrumar o feed costuma dar resultado em algumas semanas.
3- A busca longa e específica
Exemplo: “qual bicicleta elétrica aguenta subida forte”, “melhor software de manutenção para indústria de alimentos”, “biquíni que não desbota com cloro”.
O que domina: AI Overview, pessoas também perguntam, vídeo, fórum e lista de terceiros. O orgânico próprio aparece, mas dividindo a página. Quem é o dono, muitas vezes, não é marca nenhuma, é um blog independente ou um tópico de fórum que respondeu aquilo com clareza.
O que fazer: conteúdo que responde direto, com número, critério e comparação; vídeo mostrando o produto na situação real que a pessoa descreveu; e presença nas listas de terceiros que aparecem naquela busca.
Onde costuma ter brecha: em quase todo lugar. É a busca com maior chance de conversão e a que a maioria das empresas ignora, porque o volume individual é baixo. Somadas, essas buscas costumam representar a maior parte da demanda real.
Dominar a SERP custa dinheiro. Como priorizar?
Mapear é a parte fácil. O difícil é decidir a ordem, porque cada espaço na SERP consome time, verba e prazo. E, antes de decidir onde investir, vale entender quanto custa não investir em SEO.
E a escolha não deveria ser “onde eu tenho mais volume de busca”. Deveria ser “onde o espaço vazio encontra um produto que me interessa vender”. São quatro perguntas antes de decidir:
- Qual é a margem desse produto ou serviço? Dominar a SERP de um item de margem baixa consome o mesmo esforço e devolve muito menos.
- Tem estoque ou capacidade de atender? Subir demanda de um item que vai faltar em três semanas é perder tempo de trabalho. E ainda derruba o próprio resultado, porque produto sem estoque sai do feed e perde posição.
- Qual é o ticket e o tempo de decisão? Ticket alto e decisão longa justificam vídeo, comparativo e conteúdo técnico. Ticket baixo e decisão rápida pedem Shopping, imagem e ficha de produto redonda.
- Quem ocupa o espaço hoje? Concorrente direto é a briga mais cara. Terceiro (uma lista, um portal) é briga média, resolvida com relacionamento e conteúdo. Espaço vazio é prioridade máxima.
Na prática, a sua estratégia deve ser primeiro nos espaços vazios em produtos com margem e estoque. Depois, nos espaços ocupados por terceiros, onde dá para entrar sem disputa direta. Por último, nos espaços ocupados por concorrentes, que é onde o custo é mais alto.
Como a estratégia de SERP Domination muda em três tipos de negócio
O mapa é o mesmo. O que muda é quais espaços valem a pena primeiro. Vamos exemplificar!
E-commerce de moda premium
Em um e-commerce de moda premium, a busca é curta e visual. Imagem e produtos populares valem mais que blog no começo do projeto.
O que costuma render mais rápido: foto de produto e de contexto bem tratadas, com nome de arquivo e alt text descrevendo modelagem e cor; feed com o vocabulário que a cliente usa de verdade (“biquíni cortininha”, “maiô com bojo”, “vestido de seda”); e ficha de produto que responde o que ela pergunta antes de comprar.
E tem a cauda longa (frases mais específicas), que aqui pode entrar tipo de material e especificidades, como “biquíni que não marca”, “maiô que não fica transparente na água” e “tecido que não desbota com cloro”. Cada uma dessas é uma resposta de IA.
Como o ticket é alto e a recompra importa, a busca pelo nome da marca também é território. Vale olhar o que aparece do lado dela: painel de conhecimento montado ou não, marketplace vendendo a sua peça acima de você, reclamação antiga no top 3 e title bem otimizado.
E-commerce de bicicleta elétrica
Ninguém compra bicicleta elétrica no primeiro clique. A pessoa pesquisa autonomia, comportamento em ladeira, vida útil da bateria, assistência técnica e outras dúvidas. São semanas de pesquisa antes do checkout. Até porque é um produto de alto valor.
Vídeo é o espaço mais subaproveitado desse mercado. “Bicicleta elétrica sobe ladeira” é uma pergunta de vídeo, não de texto. E quem responde em vídeo ocupa um bloco inteiro que os concorrentes deixaram vago.
Além disso, fórum e grupo aparecem muito nessas buscas, então estar presente na conversa vale mais que publicar mais uma landing page. Se a empresa tem loja ou assistência técnica, o pacote local entra com força: “conserto de bicicleta elétrica” é busca local com intenção altíssima.
E tem o comparativo de terceiros. “Melhores bicicletas elétricas 2026” é uma página que você não vai ranquear no lugar dela. Se a sua marca não está dentro dessa lista, ela está fora da decisão.
SaaS B2B
A SERP de B2B é a mais dominada por terceiros. Diretórios de software, blogs de comparação, portais de setor e, agora, o resumo de IA por cima de tudo.
Vale separar dois grupos de busca. A busca de categoria (“software de gestão de manutenção”) traz AI Overview e listas, território de terceiros. A busca de marca (“nome da ferramenta + avaliações”) traz painel, sitelinks e sites de review, território que você influencia mas não controla.
O que funciona: conteúdo com dado próprio, como benchmark do setor ou pesquisa com a base de clientes, porque IA cita fonte com número; presença nos diretórios e comparativos que já aparecem naquelas buscas; página de comparação honesta contra o concorrente; e vídeo de demonstração real, não institucional.
E tem uma coisa que quase ninguém faz ainda: perguntar para as IAs o que elas respondem quando alguém pede “o melhor software de X para a indústria Y”. Essa resposta virou a nova primeira posição, e ela não aparece em relatório de ranking nenhum.
Como medir se você está ganhando espaço na SERP
Sem medir, não dá para dominar a SERP. Você pode começar pelos seguintes pontos:
- Espaços ocupados por busca prioritária. Escolha as top 5 buscas que representam receita e conte, mês a mês, quantos blocos são seus.
- Participação na página (share of SERP). Quanto do espaço visível é seu, quanto é do concorrente e quanto é de terceiro.
- Presença em AI Overview e AI Mode. Sua marca é citada? Com qual URL? O Search Console não separa isso, então precisa de monitoramento próprio.
- CTR por busca, com e sem bloco novo. Se o CTR cai e a posição não mudou, apareceu bloco novo na página.
- Receita ou lead por grupo de busca, não por página isolada.
Quantos espaços do Google são seus hoje?
Coloque de 1 a 5 buscas que importam pro seu negócio e receba um raio-X da sua presença na página de resultados do Google: onde a sua marca aparece, onde o concorrente aparece e quais blocos ainda estão vagos.
Recebemos suas buscas!
Em breve você recebe o raio-X da sua SERP: onde a sua marca aparece, onde o concorrente aparece e quais espaços da página ainda estão vagos.
Uma ressalva importante: espaço que não gera clique ainda vale. Painel de conhecimento tem CTR de 1,4% e mesmo assim é o que faz a pessoa confiar na empresa antes de clicar em qualquer coisa. O bloco de perguntas tem 3% e define qual será a próxima dúvida dela. Se você medir só clique, vai desligar exatamente o que está sustentando a decisão de compra.
Por onde começar a dominar a SERP
O diagnóstico de SEO é o começo. E, na maioria das empresas, ele revela a mesma coisa: a marca ocupa dois ou três espaços de 10 disponíveis, e o resto está com concorrente ou com quem nem vende nada.
É esse mapeamento que a gente faz na Search Lab antes de propor qualquer ação. A agência trabalha só com SEO desde 2017 e GEO, com projetos de e-commerce, B2B e captação de lead, e a razão de começar pelo mapa é bem prática: na maior parte dos casos, o ganho mais rápido não está em subir de posição, está em ocupar um bloco que ninguém ocupou.
Foi assim que um e-commerce de moda praia de luxo conseguiu resultados com as estratégias da Search Lab. Em 9 meses de projeto, 23% mais termos nonbranded no top 10 e quase 4x mais cliques em buscas como "biquíni", "maiô" e "vestido de seda".
Se quiser ver como está a sua SERP hoje (quantos espaços são seus, quantos são do concorrente e quantos estão vagos), fale com a gente.
Perguntas frequentes sobre dominar a SERP
O que é SERP?
SERP é a sigla de Search Engine Results Page, ou página de resultados do buscador. É a tela que aparece depois que alguém pesquisa alguma coisa no Google. Hoje ela combina links orgânicos, anúncios, resumo de IA, imagens, vídeos, produtos, mapa e caixas de perguntas. Por isso se fala em "espaços" e não só em "posições".
O que é dominar a SERP?
É ocupar o maior número possível de blocos de uma mesma página de resultados para as buscas que importam para o negócio, em vez de disputar apenas a primeira posição orgânica. Uma empresa pode estar no resumo de IA, no bloco de imagens, no carrossel de produtos, no pacote local e no orgânico ao mesmo tempo. Cada presença dessas ocupa espaço que o concorrente deixa de ter.
Quantos resultados do mesmo site o Google mostra na mesma busca?
Em geral, no máximo dois. A regra vem da atualização de diversidade de domínios que o Google lançou em junho de 2019. Existem exceções, principalmente em buscas pelo nome da marca. É justamente por isso que dominar a SERP não é publicar mais páginas sobre o mesmo assunto: é entrar pelos outros blocos, que têm regras próprias e não contam nesse limite.
Vale a pena investir em SEO se o AI Overview responde tudo?
Vale, mas o critério de sucesso muda. O AI Overview monta a resposta a partir de páginas indexadas, e a maior parte das fontes citadas vem do topo do orgânico. Ou seja, sem SEO você nem entra na lista de candidatos de fonte. O que muda é o indicador: além de clique e posição, você passa a acompanhar se a marca é citada e com qual URL.
Qual é a diferença entre SEO e GEO?
SEO é o trabalho de aparecer bem nos resultados de busca tradicionais. GEO, ou Generative Engine Optimization, é o trabalho de ser citado nas respostas geradas por IA: AI Overview, AI Mode, ChatGPT, Gemini, Perplexity e outras. As bases técnicas são parecidas: página rastreável, conteúdo claro e autoridade. A diferença está no formato da resposta e em quais fontes cada sistema costuma citar.
O que são dados estruturados e por que eles importam?
Dados estruturados, ou schema, são um trecho de código invisível para o usuário que explica para o Google o que existe na página: se é um produto, com que preço, se tem avaliação, se é um evento, uma vaga ou um vídeo. Eles não melhoram sua posição diretamente. O que fazem é liberar formatos de exibição, como estrela, preço, imagem, faixa de datas etc, que aumentam bastante o clique no mesmo lugar do ranking.
Dá para dominar a SERP sem investir em anúncio?
Dá para ocupar a maior parte dos espaços sem mídia paga. Orgânico, resumo de IA, imagens, vídeo, pacote local, painel de marca e até as listagens gratuitas do Shopping são todos orgânicos. Os anúncios ocupam posições fixas no topo e na base, e comprar mídia continua fazendo sentido em vários casos, mas não é pré-requisito para ocupar o restante da página.
Quanto tempo leva para ocupar novos espaços na SERP?
Depende do bloco. Perfil da Empresa e feed do Merchant Center costumam responder em semanas. Rich results aparecem depois que o Google recoleta a página, o que costuma levar de dias a poucas semanas. Featured snippet, imagens e vídeo ficam na casa de um a três meses. Presença consistente em resumo de IA e painel de conhecimento é o mais lento, porque depende de autoridade construída fora do seu site, mas aqui na Search Lab já aparecemos em respostas de IA após 3 horas de publicação de um blogspot.
Como eu descubro quais blocos aparecem nas minhas buscas?
O jeito mais rápido é manual: pesquise seus termos mais importantes em aba anônima, com a localização certa, e anote cada bloco que aparece e de quem ele é. Ferramentas de SEO já reportam recursos da SERP por palavra-chave, o que ajuda a fazer isso em escala. O que elas ainda cobrem mal é a citação em IA, que pede monitoramento específico.
