Durante muito tempo, SEO significava conquistar posições no Google, gerar cliques e aumentar tráfego. Hoje, isso continua importante, mas deixou de ser suficiente. Com AI Overviews, ChatGPT, Gemini, Perplexity e outros mecanismos conversacionais, uma parte importante da jornada de descoberta acontece antes mesmo do clique.
O usuário pergunta e a IA responde. Ela organiza diferentes fontes, escolhe marcas, cria comparações e influencia a decisão sem necessariamente enviar o usuário para um site. É aqui que entra GEO.
SEO garante que a marca exista e seja compreendida. GEO aumenta a chance dela ser utilizada quando a IA constrói uma resposta. Foi exatamente isso que observamos em um projeto de um e-commerce de moda Vtex.


Base SEO construída primeiro
Antes de olhar para a IA, o desafio principal era reduzir a dependência de buscas branded e conquistar espaço real em termos nonbranded. A operação tinha forte reconhecimento de marca, mas ainda precisava crescer em categorias estratégicas para atrair novos públicos e ampliar presença orgânica fora das buscas de marca.
A estratégia priorizou categorias com alta relevância comercial e forte potencial de recorrência, como biquíni, maiô, biquínis de luxo, maiô elegante, vestido de seda, vestido kimono e calça tule.
Também houve um trabalho importante em produtos perenes, reduzindo a dependência de coleções sazonais e fortalecendo a estabilidade do tráfego ao longo do ano.
Estratégia aplicada
A construção dessa base passou por um trabalho completo de SEO. Foram realizadas otimizações técnicas, ajustes on page, fortalecimento de categorias, criação de novas páginas estratégicas e melhoria da arquitetura interna.
Além disso, houve atuação contínua em link building e autoridade off page, com foco em páginas relevantes para o negócio e fortalecimento da presença da marca fora do próprio site.
O objetivo não era apenas melhorar ranking. Era ampliar território semântico e fazer com que a marca fosse entendida como referência real dentro daquele mercado.
Resultados SEO conquistados
O crescimento foi expressivo.
O projeto alcançou +273,5% de cliques em termos nonbranded no comparativo anual.
Também houve +23% de aumento de termos nonbranded no Top 10.
Pela primeira vez, o e-commerce passou a ocupar posições estratégicas para termos altamente competitivos como:
- biquíni
- maiô
- biquínis de luxo
- maiô elegante
- vestido de seda
- vestido kimono
- calça tule
Esse movimento mostra expansão real de presença para usuários que ainda não conheciam a marca, mas já buscavam exatamente o tipo de produto que ela oferece.
E é exatamente aqui que GEO começa.
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Monitoramento com First Answer
Com a base SEO consolidada, iniciamos a análise de presença em IA usando o First Answer, ferramenta para monitoramento de respostas geradas por inteligência artificial.
Importante destacar: ainda não havia uma estratégia exclusiva de GEO aplicada neste projeto.
As menções em IA surgiram como consequência direta da soma entre SEO técnico, autoridade, conteúdo e consistência editorial. Isso reforça um ponto importante: quem tem bom SEO já começa a disputa em vantagem.
Prompts fortes: onde a marca já domina
O primeiro grupo de prompts mostrou onde a autoridade já está consolidada.
Um dos melhores exemplos foi:
“Quais estilistas brasileiros oferecem roupas de praia sofisticadas e atemporais?”
Nesse caso, a marca apareceu em 88% das respostas, com posição média de 1.56 e sentimento muito positivo. As respostas traziam referências de veículos como Vogue, Elle e Harper’s Bazaar. Isso reforça nossa posição: a IA não olha apenas para o site, ela busca legitimidade editorial.
Quando o prompt fala de sofisticação, assinatura e autoridade, a marca já é entendida como referência natural. Outro prompt forte foi:
“Melhores marcas de moda praia para mulheres elegantes e independentes”
Aqui, a taxa de menção foi de 61%, com posição média de 2.24. Mesmo disputando espaço com concorrentes fortes, a IA já trata a marca como uma resposta natural.
A principal leitura aqui é simples: a marca domina melhor quando vende identidade do que quando vende atributo.


Prompts intermediários: onde ainda há disputa
Quando o prompt muda para jornada de decisão, a disputa aumenta.
O melhor exemplo foi:
“Onde encontrar vestidos de seda de alta qualidade?”
A taxa de menção foi de 53%, com posição média de 3.07. A marca aparece, mas divide espaço com outras marcas nacionais e internacionais. Isso acontece porque a pergunta deixa de ser sobre identidade e passa a ser sobre solução.
As Search Queries mostraram buscas como:
- melhores marcas de vestidos de seda luxo
- high end silk dress brands
- onde comprar vestidos de seda alta qualidade
Aqui, GEO passa a ser preferência algorítmica. A marca já é lembrada. Agora precisa ser escolhida.
Prompts fracos: onde falta associação semântica
O prompt mais fraco também trouxe um insight importante.
“Comparativo de marcas de resort wear com foco em sustentabilidade”
Aqui, a taxa de menção caiu para apenas 15%, com posição média de 4.25. Esse dado mostra algo muito importante: a IA não herda reputação, ela exige associação específica. Mesmo sendo forte em luxo e sofisticação, isso não significa que a IA automaticamente reconhecerá a marca como referência em sustentabilidade.
Nesse território, o modelo busca prova pública: contexto editorial específico, recorrência semântica.
O que a IA realmente avalia
Um dos maiores aprendizados veio da aba Search Queries do First Answer. Ela mostrou que a IA quebra a pergunta em microconsultas intermediárias.
Quando alguém pergunta:
“Onde encontrar vestidos de seda de alta qualidade?”
a IA também procura:
- melhores marcas
- marcas premium
- vestidos de seda luxo
- comparações implícitas
- referências editoriais
Ou seja, GEO não otimiza apenas para o prompt final, trabalha as perguntas intermediárias que sustentam a resposta.
Ela observa onde a marca aparece, com quais temas ela é associada e quantas vezes essa associação se repete. É isso que define se ela será usada como referência.
Impacto na estratégia digital
Esse case reforça um ponto central da metodologia da Search Lab: é sobre entender onde sua autoridade já existe e onde ela ainda precisa ser construída.
O e-commerce já domina prompts ligados a sofisticação, assinatura e legitimidade cultural. Disputa mais quando o prompt envolve decisão orientada por atributos específicos. E ainda precisa construir território quando o tema exige associação semântica própria, como sustentabilidade.
Link building, PR digital e presença editorial deixam de ser apenas ações de autoridade de domínio e passam a influenciar diretamente se a IA escolhe ou não a marca como resposta.
Conclusão
Este case reforça que GEO não substitui SEO.
GEO é a continuidade natural de uma estratégia madura de SEO. A base técnica garantiu entendimento. Agora, a próxima etapa é aumentar a chance de escolha.
Nas próximas estratégias, vamos buscar:
- Criar conteúdos mais orientados por jornada de decisão.
- Fortalecer atributos específicos como sustentabilidade.
- Expandir presença editorial em territórios ainda frágeis.
- Construir autoridade semântica com intenção real.
A marca já é lembrada. Agora trabalhar para que seja escolhida.
