O site está tecnicamente correto, o conteúdo é bom, as páginas estão otimizadas. Mesmo assim, o crescimento orgânico não acontece no ritmo esperado. Se você é gestor de e-commerce, provavelmente já sentiu isso na prática.
Isso não é um problema isolado. É um cenário que vemos com frequência na Search Lab.
Nos últimos anos, boas práticas de SEO deixaram de ser um diferencial. Templates otimizados, ferramentas acessíveis e o uso de IA nivelaram o jogo. Hoje, muitos e-commerces fazem o básico bem feito.
Quando isso acontece, o Google precisa de outros critérios para decidir quem aparece mais.
O básico virou padrão
Dados da Ahrefs, a partir do estudo Search Traffic Study publicado e atualizado em 2024, mostram que 96,55% de todo o conteúdo publicado não recebe tráfego orgânico. Não por ser ruim, mas porque existe excesso de páginas competindo pelos mesmos termos.
Esse cenário aparece também em análises editoriais recentes do Search Engine Land, que apontam um forte nivelamento técnico entre sites bem posicionados, com estruturas, boas práticas e formatos muito semelhantes. A Semrush reforça essa leitura ao mostrar que, em mercados competitivos, as diferenças de SEO on-page tendem a ser cada vez menores, exigindo sinais externos para que o Google consiga diferenciar marcas e páginas nos resultados.
Na prática, isso significa que o SEO on-page virou um requisito mínimo. Ele não garante vantagem competitiva sozinho.
O que mudou com os últimos updates do Google
Ainda em 2024, o Google reforçou publicamente o combate a conteúdos feitos apenas para ranquear, especialmente aqueles produzidos em escala e sem valor real para o usuário. Isso ficou claro noMarch 2024 Core Update e nas atualizações de políticas de spam.
A mensagem foi direta: atalhos artificiais perdem espaço.
Em um ambiente com excesso de páginas “corretas”, o algoritmo tende a valorizar sinais mais difíceis de replicar. Entre eles, a validação externa.
Não é opinião. É uma leitura baseada em comunicados oficiais do Google Search Central e na cobertura técnica feita por veículos como Search Engine Land e Sistrix.
Onde o link building entra nesse cenário
Link building nunca deixou de existir. O que mudou foi o papel que ele ocupa.
Hoje, links funcionam menos como um “empurrão técnico” e mais como sinais de reputação. Eles ajudam o Google a entender quais marcas são citadas, recomendadas e referenciadas fora do próprio site.
Quando vários e-commerces entregam experiências parecidas, o algoritmo precisa de indícios externos para decidir quem merece mais visibilidade.
Esse é o ponto de desempate.
Não é sobre quantidade de links
A Ahrefs indica que a dificuldade de ranquear um termo está diretamente ligada ao perfil de backlinks das páginas que já ocupam o top 10, baseando-se no número, na qualidade e na relevância dos domínios que apontam para essas páginas. Essa lógica é explicada pela própria Ahrefs em sua metodologia de Keyword Difficulty, usada como referência pelo mercado.
Já análises editoriais recentes do Search Engine Journal, como a série Ask An SEO sobre Digital PR e link building, mostram que o mercado tem caminhado para estratégias baseadas em cobertura editorial e menções reais, deixando de lado links artificiais ou desconectados do contexto e do público.
Em resumo: link bom é o que vem de um site relevante para o seu mercado, dentro de um conteúdo coerente, com audiência real.
Link building também influencia quem a IA escolhe citar
Sistemas de busca baseados em IA, como Google AI Overviews, ChatGPT e Perplexity, selecionam fontes para gerar respostas. Para isso, avaliam sinais externos de confiança, como backlinks editoriais e menções de marca em sites reconhecidos.
A IA precisa identificar quais marcas são referenciadas por terceiros de forma consistente para decidir quem merece ser citado.
Isso é sustentado pelo estudo “Top Brand Visibility Factors in ChatGPT, AI Mode and AI Overviews”, publicado pela Ahrefs em 2025. A análise avaliou 75 mil marcas e milhões de respostas geradas por IA e concluiu que menções de marca na web apresentam correlação significativamente maior com visibilidade em respostas de IA do que métricas tradicionais como Domain Rating ou volume de conteúdo.
Guias da Semrush sobre sinais de confiança em AI Search e análises editoriais do Search Engine Land sobre visibilidade no AI Overviews reforçam que cobertura editorial e menções recorrentes ajudam os sistemas de IA a reconhecer quais marcas são referências em seus mercados
Na prática, isso indica que autoridade externa deixou de impactar apenas o ranking tradicional.
Para a Search Lab, o foco está em gerar validação externa real. Isso inclui presença em veículos relevantes para o setor, conteúdos editoriais que façam sentido para quem decide e menções que ajudem o Google e os sistemas de IA a entenderem quem é a marca e por que ela é referência naquele tema.
O erro mais comum dos e-commerces
Muitos e-commerces investem em link building como uma tarefa isolada. Compram pacotes, replicam listas de sites ou seguem estratégias genéricas.
O resultado costuma ser frustrante.
Links sem relação com o negócio, publicados em ambientes genéricos, raramente ajudam a construir reputação. Em alguns casos, apenas consomem orçamento sem impacto claro em tráfego ou receita.
Por que isso importa para decisões de negócio
Para gestores B2B, SEO não deve ser vaidade. É aquisição, previsibilidade e redução de dependência de mídia paga.
Quando o Google precisa escolher entre sites tecnicamente parecidos, quem é citado fora do próprio domínio sai na frente. Não por mágica, mas porque referências externas reduzem o risco de decisão do algoritmo.
É por isso que, em mercados competitivos, link building voltou a ser decisivo.
Como a Search Lab trabalha esse tema
Na Search Lab, link building é tratado como parte da estratégia de posicionamento do e-commerce. Cada link precisa ter contexto, coerência e motivo claro para existir, ter relação direta com o negócio, com o público e com a narrativa que a marca constrói fora do próprio site.
Trata-se de construir sinais externos que reforcem quem a marca é e qual espaço ela ocupa no mercado.
Essa abordagem é o que permite crescer de forma mais consistente, mesmo em cenários saturados.
Fontes e leituras de apoio: Google Search Central (March 2024 Core Update), Search Engine Land, Search Engine Journal, Ahrefs, Semrush, Sistrix.
